As traduções bíblicas

Por José Henrique

Sobre as traduções bíblicas, é uma soma de fatores que influenciam o entendimento. A escolha de um sinônimo inadequado de uma palavra em hebraico, em virtude da teologia pre-concebida do tradutor, pode levar a confusões. Por exemplo: scheol (sepultura, região dos mortos), arum (nudez, sagaz), Adão e eva estavam nus (arumim) e a serpente era o animal mais sagaz (arum), kedem (oriente, mundo primitivo ou antigo), olam (um longo e indeterminado período, eternidade). Por isso podemos dizer que cada tradução atende um determinado segmento religioso do meio cristão ou judaico.

Existe grande confusão teológica de termos, como, por exemplo: morte (física e a espiritual); ressurreição (do corpo e do espírito). Outra dificuldade é a omissão de palavras que estão no original e que em muitas traduções são omitidas, fazendo com que o leitor não tenha a compreensão exata da passagem. Exemplo: Jó 1.21 “Nu saí do ventre de minha mãe e nu voltarei PARA LÁ”. Para lá (shamah em hebraico) é omitido na maioria das traduções. “PARA LÁ” está em harmonia com Eclesiastes 12.6-7.

É comum o acréscimo de palavras ou expressões na nossa língua e que não estão presentes no texto original e pode ter o risco de desvirtuar o sentido dos originais. Por estas e outras situações o leitor se torna refém do tradutor, do entendimento dele e da sua teologia. Toda tradução é uma recriação do texto. O tradutor é conhecido no meio teológico como “traidor” do texto original. Soma-se a tudo isso a teologia pre-concebida do leitor, que pode acarretar uma confusão ainda maior no entendimento. Em estudos mais profundos, deve-se sempre comparar de 4 a 8 traduções diferentes, com o original. Mesmo no original é preciso ter o cuidado de separar os ensinos humanos e entendimentos divinos, que o povo antigo tinha de Deus, como no exemplo: “Deus mandando matar animais, crianças de peito, mulheres de um povo inimigo”, indo de contramão no que ensinou Jesus (lembrando que a doutrina é do Pai) de amar os inimigos e a perdoar setenta vezes sete. Sempre confrontar os ensinos divinos com o caráter do Eterno, entendendo a progressividade da revelação no decorrer da história da humanidade.

Biblias recomendadas:

ARA – ALMEIDA REVISTA E ATUALIZADA,
ACF – ALMEIDA CORRIGIDA E FIEL
JER – BÍBLIA DE JERUSALÉM (Católica com 6 livros a mais)


Apostila para Iniciantes